Essa série não é apenas uma ficção. Ela é um espelho sombrio e corajoso da juventude digitalizada, marcada por impulsos intensos, vínculos frágeis e uma solidão camuflada por curtidas.
Existe uma cena na série Adolescência – recém-lançada pela Netflix e já aclamada pela crítica – que ecoa como um soco no estômago para qualquer mãe, pai ou educador. Um adolescente em crise implora, com os olhos tomados por desespero: “Você gosta de mim?”. A pergunta, embora dirigida a uma psicóloga, revela algo mais profundo: o retrato de uma geração faminta por afeto, validada por algoritmos e abandonada emocionalmente no mundo real.

O Que Essa Série Está Gritando Para as Famílias e Escolas
– Uma adolescência desassistida emocionalmente, onde os adultos terceirizam a escuta e se afastam da presença afetiva.
– Redes sociais como sedutores “confessores digitais”, que colhem segredos sem oferecer escuta, só engajamento.
– Uma educação escolar que ensina conteúdos, mas ignora afetos, onde professores se frustram, gestores se perdem, e adolescentes se afundam emocionalmente – como Jamie, o protagonista.
– A ilusão de liberdade digital, onde o adolescente acredita estar se conectando ao mundo, mas na verdade se afunda em um oceano de comparações, invisibilidade e autodepreciação.

Uma Obra Que Expõe As Feridas Invisíveis
A série é inspirada em crimes reais, mas o que choca não é o assassinato. É o silêncio. É a ausência de um olhar verdadeiro. É a forma como Jamie, aos 13 anos, vai se despedaçando, invisível aos olhos da família, da escola e da sociedade. Uma infância interrompida não por uma tragédia, mas por uma série de pequenos abandonos diários.
Como explica o psicólogo Marcos Torati:
“A fragilidade do eu adolescente está em formação e depende da percepção dos adultos para construir sua identidade.”
E como diz a pesquisadora Ilana Pinsky:
“A adolescência é um período de fome emocional, em que os códigos de pertencimento mudam em velocidade alucinante.”

O Papel das Mães em Tempos de Hiperconexão
Essa série é um convite – e um alerta – para as mães despertarem. A adolescência pede presença. Não uma presença no feed, mas uma presença no olhar, no toque, na escuta. Nossos filhos estão online, mas a pergunta que não cala é: estamos emocionalmente disponíveis para eles?
Mães, não se trata de proibir telas, mas de construir vínculos reais mais fortes que qualquer algoritmo.
Como Educadora Parental, o Que Aprendo com a Série?
Como profissional, vejo em Adolescência uma obra-prima da dor social silenciosa. Uma ferramenta poderosa para provocar reflexão, reformular o modo como nos comunicamos com nossos filhos e entender que o problema não está no celular, mas no vazio que ele preenche.
Como educadora parental, convido as mães a trocarem o controle pelo vínculo, a vigilância pelo diálogo, a cobrança pela curiosidade amorosa. Porque educar adolescentes na era digital não é controlar a tecnologia – é aprender a navegar com eles nas águas turbulentas da alma.
Conclusão: Um chamado à escuta ativa, urgente e afetiva
Se você é mãe de um adolescente, essa série não é só entretenimento. É um pedido de ajuda – não do personagem Jamie, mas de milhares de jovens reais, invisíveis dentro de casa. A era digital nos desafia, mas também nos oferece a chance de recomeçar.
Assista com o coração aberto. Reflita com empatia. E, acima de tudo, esteja presente. Seu filho não precisa de mais Wi-Fi. Ele precisa de você.
Bibliografia
O texto foi construído a partir de reflexões pessoais e profissionais com base em fontes públicas, jornalísticas e científicas, todas devidamente referenciadas abaixo:
Referências:
Série mencionada:
ADOLESCÊNCIA (The Gathering). Direção: Bryan Elsley. Reino Unido: Clerkenwell Films, 2025. Disponível na Netflix.
Artigos e matérias utilizadas:
1. SILVA, José Alves da. O que a série ‘Adolescência’ pode ensinar às escolas? Carta Capital, 29 mar. 2025.
2. PINSKY, Ilana. O que a série ‘Adolescência’ nos ensina sobre o mundo secreto dos jovens. VEJA, 21 mar. 2025.
3. NIERO, Jamille. Já viu ‘Adolescência’? Saiba quais alertas à saúde mental que a série mostra. InfoMoney, 05 abr. 2025.
Especialistas citados:
– Dr. Marcos Torati, psicólogo clínico, professor e mestre em Psicologia pela PUC-SP.
– Dra. Ilana Pinsky, psicóloga e pesquisadora especialista em saúde mental e sociedade.
– Dr. João Pedro Wanderley, psiquiatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
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